
Os nossos estudos têm revelado falhas recorrentes em projectos desenvolvidos por empresas de iluminação consolidadas no mercado, onde, em muitos casos, emergem verdadeiras aberrações lumínicas. Estes resultados reflectem frequentemente uma prioridade centrada na venda de equipamento luminotécnico, em detrimento das reais necessidades do lugar. Os clientes, geralmente desconhecedores das dimensões técnicas, físicas e químicas da luz, depositam a sua confiança nestes prestadores, abdicando do controlo sobre decisões que frequentemente conduzem a soluções inadequadas ou mal aplicadas.
Um exemplo flagrante pode ser encontrado em Valongo, onde a substituição generalizada da iluminação pública por luminárias LED introduziu uma temperatura de cor radicalmente desalinhada com os parâmetros considerados adequados para uma iluminação nocturna saudável. Este resultado é particularmente lamentável, tendo em conta a existência de um Plano Director de Iluminação Pública que explicita e preconiza precisamente esses parâmetros.
Não somos uma empresa de fornecimento de iluminação — o nosso core business não é a venda de equipamento. Antes, trabalhamos com fabricantes e fornecedores num processo orientado para a obtenção de resultados espaciais precisos.
Projectar com luz não é simplesmente colocar pontos em planta, aplicar equipamento estandardizado ou assumir que uma boa iluminação implica que os elementos arquitectónicos brilhem intensamente à distância. Exige rigor técnico e consciência cénica, bem como a compreensão de que a luz produz efeitos físicos e químicos. O domínio destas variáveis é essencial para um desenho de luz consciente e responsável.
Um diagnóstico de iluminação analisa o espaço no seu estado atual, identificando as relações entre a luz, os materiais e a perceção. Distingue se a luz é funcional ou tem um carácter cénico, bem como os valores inerentes a cada um dos conceitos.
A partir daí definem-se estratégias que valorizam o espaço, respeitando o seu carácter e o ambiente nocturno envolvente. Afinal, a noite é noite, não é dia.
Aviso: algumas das imagens seguintes podem revelar-se perturbadoras.

Desequilíbrios luminosos - Vilar Maior




Equipamento invasivo e a degradação da envolvente nocturna - Sabugal


Inapropriada iluminação nocturna, ainda que visualmente aceitável - Sortelha


Iluminação severamente inadequada nas Cardosas - Porto


Aberrante letreiro luminoso - Vila-Nova de Gaia

"Mordor" Monte Crasto - Gondomar

O efeito cosseno na medição da iluminância


Desastrosa iluminação pública - Valongo
