Como abordamos a luz
Existem fundamentalmente duas origens de luz: Luz Estelar; com origem nos corpos celestes, sobretudo no Sol, e nos fenómenos em constante transformação de projecção e reflexão sobre a superfície da Terra. Luz Sintetizada; toda a luz produzida por mecanismos humanos, concebida para ser constante, controlável e deliberada.
Albert Einstein, após uma vida inteira dedicada ao estudo da luz, admitiu que pouco sabia sobre esta. Quem somos nós, então, para afirmar o contrário?
O que procuramos, modestamente, é agir enquanto aprendemos. Trabalhar com a luz considerando os seus efeitos físicos e químicos sobre o corpo humano e sobre o ambiente biológico que nos rodeia, enquanto exploramos as dimensões cénicas que esta luz sintetizada assume na sua relação com o espaço; particularmente com o espaço arquitectónico, concebido e moldado segundo intenções claras e definidas.
Acreditamos que esta é a única postura responsável quando projectamos fotões em qualquer espaço. Afinal, nós não vemos a luz em si mesma; aquilo que verdadeiramente percepcionamos são os espaços e os objectos que a luz nos permite ver.
A iluminação opera , essencialmente, em dois grandes domínios: o Funcional e o Cénico. A Luz Funcional responde a exigências elementares, técnicas e rigorosas. Ainda assim, mesmo em condições estritamente funcionais, existe sempre uma forma elegante de colocar a luz no espaço. Acreditamos que a discrição deve orientar a luz ainda que o seu propósito seja meramente utilitário. A Luz Cénica, por sua vez, estabelece uma relação mais profunda com o espaço. A sua relação com a arquitectura pode ser Simbiótica, Subordinada, ou Dissonante.
A A Luz Simbiótica é concebida em simultâneo com a própria arquitectura. É estruturada desde o início do projecto, antes mesmo da obra existir, moldando superfícies e volumes que são desenhados para receber a luz como parte integrante da linguagem arquitectónica.
A A Luz Subordinada habita espaços preexistentes — ambientes que não foram originalmente concebidos para receber equipamentos de iluminação. Nestas condições, a luz pode operar através de Luz de Destaque,, Conceptual, ou Festiva: desde a valorização de elementos arquitectónicos e monumentos, até à criação de intervenções conceptuais ou peças escultóricas, ou ainda assumindo uma presença efémera e de celebração.
A Luz Dissonante, como o termo indica, perturba a percepção. Carece de sensibilidade cénica e acaba por comprometer a leitura do espaço ou do objecto que ilumina.
Não procuramos classificar ou catalogar a luz, nem arrumá-la cuidadosamente em prateleiras. Como escreveu John Frow, "nós somos o nosso nome." Procuramos, assim, oferecer à luz uma identidade e, talvez, uma forma diferente de ser percepcionada.
